quarta-feira, 31 de agosto de 2011

100 anos de moda em 1m40s



Via Boing Boing.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dilma Vana, a que não poderia entrar nos EUA, receberá o Prêmio do Wilson's Centre por serviços públicos.


26 de junho de 2011

A Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, receberá o Prêmio do Wilson’s Centre para o Serviço Público, em 20 de setembro de 2011 em Nova York.

"A história de Presidente Dilma tem inspirado milhões de mulheres em todo o mundo para alcançar cargos de liderança em muitos campos", disse Jane Harman, diretor, presidente e CEO do Woodrow Wilson Center. "O Wilson’s Centre tem o prazer de ser capaz de honrar sua dedicação ao serviço público e sua liderança, fiéis à visão de Woodrow Wilson."
A líder brasileira receberá o Woodrow Wilson Award de Serviço Público em um jantar no Hotel Pierre, na véspera de se tornar a primeira mulher chefe de Estado a abrir a Assembléia Geral da ONU em seus 66 anos de história.

(…)

O Prêmio Woodrow Wilson é conferido aos líderes proeminentes dos negócios, governo, artes e ciências, que dedicaram suas carreiras e vidas para melhorar a qualidade de vida nos seus países e ao redor do mundo. Seus legados refletem os valores do 28º Presidente Estados Unidos, Woodrow Wilson, um líder que acreditava que, "Não há maior religião do que de serviços humanos. Trabalhar para o bem comum é o maior credo."

Desde a sua criação em 1998, o Prémio de Serviço Público e Cidadania Corporativa foi sido concedido a cidadãos dos Estados Unidos e 18 outros países abrangendo seis continentes.
Os ultimos brasileiros a receber o Prêmio Woodrow Wilson para Serviço Público foram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2009) e Dr. Zilda Arns (2007), fundadora da "Pastoral da Criança", que morreu durante o terremoto de janeiro de 2010 no Haiti, apenas um dos 14 países em que ela trabalhou caridade em nome da saúde das crianças.
(…)

Expresse seus tabus; compartilhe suas esquisitices!

Música repetida - porque hoje tem show dela aqui no Rio (e eu não posso ir) e porque o outro vídeo foi retirado do You Tube.


Sexual Revolution - Erykah Badu & Macy Gray - 2011 found on R&B

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Só é feio porque é novo - e você não gosta disso.

Embaixada americana: história da doação da FARC ao PT foi plantada com fins eleitorais

Primeiro, a reprodução de dois trechos do cable; depois, a matéria do Opera Mundi.

veja eua pt

“(…) o momento da publicação [pouco antes do início da campanha para reeleição] e a origem das histórias da Veja sugerem que elas foram plantadas por razões políticas. (…)”

“(…) O fato de a história ter vazado agora, e não durante a tensa campanha de 2002 (…), sugere que ela é produto da atual luta interna, entre a ABIN e o Governo.”

veja eua pt abin

“(…) O chefe da ABIN, Mauro Marcelo, foi indicado por Lula depois de uma carreria como oficial na Polícia de São Paulo. Ele ainda é visto com desconfiança por alguns militares e agentes da ABIN, que podem ter vazado a história para desacreditar a ele e a Lula (…)”

24/08/2011 - 20:18 | Thaís Romanelli | Redação

No dia 16 de março de 2005, a revista semanal Veja publicou a matéria "Os Tentáculos das FARC no Brasil", em que detalhava uma possível relação entre membros do PT (Partido dos Trabalhadores) com a guerrilha colombiana. O caso, porém, foi relatado pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília como um exagero, além de uma tentativa de "manobra política". O documento da embaixada com o relato foi divulgado pelo Wikileaks.

Segundo a matéria, candidatos petistas teriam recebido 5 milhões de dólares da guerrilha durante uma reunião no ano de 2002, em uma fazenda próxima a Brasília. Na ocasião, membros do PT teriam se encontrado com o representante da organização colombiana no país, Francisco Antonio Cadenas, e acertado os detalhes. O objetivo seria financiar a campanha de reeleição do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).


O partido, porém, negou as acusações e a Veja não conseguiu provas documentais sobre a transferência de dinheiro.

Para embaixada norte-americana, a revista "exagerou o real nível das relações entre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o PT", segundo o documento datado de março de 2005. Isso porque, após as acusações, membros da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em Brasília, que de acordo com a revista, estavam infiltrados no encontro, não obtiveram provas concretas sobre o recebimento de dinheiro.

Citado pela embaixada norte-americana, o general Jorge Armando Felix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Abin e que acompanhou a investigação, afirmou que os documentos internos da agência citados pela Veja como provas foram "forjados", já que não estavam nas formatações da agência.
"O que foi publicado é uma mistura de meias verdades e meias mentiras. Nós não temos qualquer documento oficial que prove que o encontro ocorreu", afirmou o delegado e chefe da Abin, Mauro Marcelo, também citado no despacho.


No documento, fica explícito o estranhamento do embaixador norte-americano em relação a demora de três anos para divulgação do possível financiamento. "A história mais parece uma manobra política. O que é incontestável é que os membros do PT e representantes das FARC estiveram juntos em um encontro, mas não há provas de colaboração financeira", disse.

Para ele, o que deveria ser uma denúncia importante tornou-se uma ferramenta arquitetada pela Veja para minar a candidatura de Lula ao segundo mandato. "Enquanto os opositores e a outros veículos de comunicação estão notavelmente desinteressados em prosseguir com as acusações e investigações, parece que a Veja está exagerando os fatos", conclui o embaixador.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Alain de Botton: o casamento feliz não é um mito, mas é apenas uma possibilidade.


Alain de Botton

Eu odiaria lançar calúnias sobre o casamento no mesmo ano de um encantador casamento real e quando o primeiro-ministro desperdiça poucas oportunidades para se pronunciar a favor desta nobre e antiga instituição. No entanto, vale a pena pensarmos sobre o que esperamos que o casamento nos propicie nos dias de hoje.

Nenhuma das emoções que esperamos encontrar em um bom casamento moderno é incomum por si só. Nós as encontramos na arte e na literatura em todas as culturas e épocas. O que faz do casamento moderno extraordinário em suas ambições é a expectativa de que essas emoções sejam mantidas ao longo de toda uma vida com a mesma pessoa.

Os trovadores da Provença do século 12 tinham uma apreciação complexa do amor romântico: a dor gerada pela visão da figura graciosa, a insônia provocada pela perspectiva do encontro, o poder de algumas poucas palavras ou olhares para determinar o estado de espírito de alguém. Mas estes cortesãos não expressavam qualquer desejo de mesclar suas valorizadas emoções com intenções paralelas de criar uma família ou mesmo de dormir com aquelas a quem eles amavam ardentemente.

Emoção subversiva
Os libertinos da Paris do século 18 estavam, em temos comparativos, bem familiarizados com o repertório emocional do sexo: o prazer de desabotoar a peça de roupa de alguém pela primeira vez, a excitação de explorar um ao outro à luz de velas, a emoção subversiva de seduzir alguém secretamente durante a missa. Mas estas aventuras eróticas também compreendiam que seus prazeres tinham muito pouco a ver com preparar a cena para a amizade de companheirismo ou a criação de um berçário cheio de crianças.

Quanto ao impulso em se agrupar em pequenos grupos familiares dentro dos quais a próxima geração pode se propagar com segurança, esse projeto é do conhecimento da maior parte da humanidade desde os dias em que começamos a andar eretos no Vale do Rift, no Leste da África. E no entanto este impulso raramente induziu pessoas a acreditar que ele pode estar incompleto sem um desejo sexual ardente ou frequentes sensações de desejo diante da visão da companheira.

A crença na incompatibilidade, ou ao menos na independência, dos aspectos romântico, sexual e familiar da vida eram tomadas como sendo aspectos universais e pouco relevantes da vida adulta até meados do século 18, nos países mais prósperos da Europa, um incrível novo ideal começou a se formar em uma área em especial da socieade.

Este ideal propôs que as pessoas casadas daí para a frente deveriam não apenas tolerar um ao outro para o bem das crianças, como extraordinariamente deveriam também se esforçar para amar e desejar um ao outro profundamente ao mesmo tempo.

Elas deveriam manifestar nos seus relacionamentos o mesmo tipo de energia romântica que os trovadores mostravam em relação às damas que cortejavam e o mesmo entusiasmo sexual que havia sido explorado pelos entusiastas do erotismo da França aristocrática.

O novo ideal propagou pelo mundo a convincente noção de que uma pessoa poderia suprir suas necessidades mais prementes de uma só vez com a ajuda de apenas uma outra pessoa.

Não foi coincidência que o novo ideal de casamento tenha sido criado e apoiado fortemente por uma classe econômica específica, a burguesia, cujo equilíbrio de liberdade e repressão ela sinistramente espelhava.

Trabalho = escravidão
Em uma economia expandindo rapidamente graças aos desenvolvimentos técnicos e comercias, esta nova classe ascendente não precisava mais aceitar as expectativas restritivas das camadas inferiores. Com um pouco de dinheiro sobrando para propiciar distração, advogados burgueses e comerciantes podiam elevar suas expectativas e esperar mais de uma parceira do que meramente alguém ao lado, com quem se poderia enfrentar a passagem do próximo inverno.

Ao mesmo tempo, os recursos deles não eram ilimitados. Eles não tinham o tempo ocioso ilimitado dos trovadores, cuja riqueza herdada significava que eles poderiam passar três semanas sem maiores dificuldades exaltando a testa da mulher amada. Havia negócios para administrar e armazéns para fiscalizar.

A burguesia tampouco poderia se permitir a arrogância social dos aristocráticos libertinos, cujo poder e status havia lhes concedido uma confiança em relação a partir o coração alheio e destruir suas famílias - bem como os meios de ocultar quaisquer consequências desagradáveis de suas travessuras.

A burguesia, portanto, não estava nem tão pressionada a ponto de não acreditar no amor romântico e nem tão libertada da necessidade de buscar envolvimentos eróticos sem limite. O desejo de encontrar a realização por meio do investimento em um única pessoa com a qual se firmou um contrato legal e eterno representava uma solução frágil para o equilíbrio específico de necessidades emocionais e restrições de ordem prática.

Não pode ser coincidência que uma união muito semelhante entre a necessidade e a liberdade tenha se tornado aparente na mesma época em relação àquele segundo pilar da felicidade moderna - o trabalho.

Durante séculos, a ideia de que o trabalho não seria outra coisa que não sofrimento pareceria totalmente implausível. Aristóteles havia dito que todo o trabalho remunerado era escravidão, uma avaliação sombria à qual o cristianismo acrescentou a crença de que os esforços do trabalho foram uma penitência ditada pelos pecados de Adão.

Mas ao mesmo tempo que o casamento estava sendo repensado, muitos começaram a argumentar que o trabalho poderia ser mais do que um vale de lágrimas em que se entrava para sobreviver - ele poderia ser um caminho para a auto-realização e a criatividade. Poderia ser tão divertido como algo que alguém fazia sem referências a dinheiro.

As virtudes que a aristocracia havia associado anteriormente a ocupações não-remuneradas passaram a estar disponíveis em certos tipos de empregos remunerados também, uma pessoa poderia transformar um hobby em um emprego. Uma pessoa poderia fazer por dinheiro o que ela pretendia fazer de qualquer maneira.

O ideal burguês de trabalho, como sua contrapartida marital, foi a representação de uma posição intermediária. Era necessário trabalhar para ganhar dinheiro, mas o trabalho poderia ser prazeroso - assim como o casamento não poderia fugir aos encargos normalmente associados à criação de filhos - e ainda assim ele não estaria desprovido de alguns dos prazeres de um relacionamento amoroso e de uma obsessão sexual.

A visão romanceada
A visão burguesa do casamento gerou uma série de comportamentos tabu que anteriormente haviam sido tolerados ou ao menos não haviam sido vistos como a causa da destruição de si mesmo ou de uma família - uma mera tórrida amizade com a esposa ou esposo de alguém, um fracasso sexual, adultério ou impotência. A ideia de que uma família poderia ser destruída porque alguém havia feito sexo com outra pessoa seria tão ridícula para um libertino como seria para um burguês a ideia de que ele poderia se casar com alguém que ele não adorava passionalmente.

O progresso da burguesia romântica pode ser traçado na ficção. Os romances de Jane Austen ainda soam modernos porque as aspirações que seus personagens espelham - e ajudaram a moldar - as aspirações mantidas por nós. Assim como Elizabeth Bennett em Orgulho e Preconceito ou Fanny Price, em Mansfield Park, nós também ansiamos em reconciliar nosso desejo em ter uma família segura com sentimentos sinceros por nossos parceiros.

Mas a história do romance também aponta para ideais sombrios do ideal romântico. Os dois maiores romances da Europa do século 19, Madame Bovary e Anna Karenina, nos confrontam com mulheres que, como era típico em suas épocas e em suas posições sociais, almejam uma série de qualidades em seus parceiros. Elas querem que eles sejam maridos, trovadores e libertinos.

Mas tanto no caso de Emma como no de Anna, a vida só lhes oferece o primeiro entre os três. Elas ficam aprisionadas em um casamento economicamente seguro e sem amor, que em eras passadas poderia ser a causa de inveja e celebração - e que agora parece intolerável. Ao mesmo tempo, elas habitam um mundo burguês que não pode permitir suas tentativas de manter relacionamentos amorosos fora do casamento. Seus suicídios ao final ilustram a natureza irreconciliável do novo modelo de amor.

O ideal burguês claramente não é uma ilusão. Existem é claro casamentos que fundem perfeitamente bem os três ideias de ouro da realização - romântico, erótico e familiar.

Nós não podemos dizer, como os cínicos por vezes tentaram, que o casamento feliz é um mito. É infinitamente mais aflitivo que isso. É uma possibilidade - apenas uma possibilidade rara. Não há uma razão metafísica pela qual o casamento não vá honrar nossas expectativas - mas as possibilidades estão contra nós.

Desde a implantação do Bolsa Família, a Taxa de Natalidade já caiu 25%

Segundo o G1, ao falar acerca de um assalto à sua casa, um Deputado Estadual de São Paulo criticou os programas sociais do Governo Federal e defendeu o controle de natalidade. Segundo o sítio, Antonio Salim Curiati (PP) teria afirmado: "A Dilma vem para cá falar de Bolsa Família... Aí você agracia a comunidade carente, e eles começam a ter filhos à vontade. É preciso controlar a paternidade".


Diz ele que, com a concessão da Bolsa Família, os beneficiários passariam a ter “filhos à vontade”. Leia-se: o Bolsa Família estaria estimulando as famílias carentes a terem mais filhos. Não é nem original, o Deputado.  Essa bizarrice vem sendo repetida por muita “gente boa” por aí. Mas será verdade?

Posso estar enganado, mas os números do IBGE não corroboram a idéia. De fato, conforme dados do último Censo, a Taxa de fecundidade da mulher brasileira caiu de 2,40 em 2002 para 1,90 em 2010. Ou seja, a relação entre o número de nascimentos e o número de mulheres em idade fértil despencou 20,83%

No mesmo período, a Taxa bruta de natalidade caiu 25,63%, passando de 20,33 em 2002 para 25,63 15,12  em 2010 [rapidamente corrigido, 6 meses depois da publicação]. À título de comparação, registre-se que, nos 8 anos imediatamente anteriores à implementação do Bolsa Família, o índice já sofrera alguma redução, mas a um ritmo 3 vezes mais lento. Entre 1994 e 2002, a taxa bruta de natalidade sofreu uma redução de 8,55%, passando de 22,23 para 20,33.

E, então, se as taxas de fecundidade e de natalidade vêm caindo aceleradamente desde a implantação do programa, será que dá pra falar que o Bolsa Família estimula as famílias a terem mais filhos?

fecundidade



A carne mais barata...



Amor, palavra que liberta

Gentileza, com Marisa Monte.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Os avanços do PL 116

Artigo publicado pela Carta Maior, com alguns grifos meus.


A PL 116 aponta para o modelo que deveria ser seguido em alguma futura legislação brasileira. Ela separa claramente as atividades relacionadas ao conteúdo (produção, programação, empacotamento) das atividades de transporte e distribuição (telecomunicações). Este modelo poderia ser adotado até na TV aberta, como já o é na Europa.
Marcos Dantas

A aprovação pelo Senado da PL 116 [PLC 116] assinala um importante avanço na construção do marco regulatório das comunicações, numa direção nacional e democrática. Importante avanço não significa – deveria ser óbvio – definitivas conquistas, mas expressa a introdução na agenda, agora como norma de direito, de algumas reivindicações dos movimentos sociais na Iª Confecom, dentre elas a proteção e fomento à produção e divulgação de conteúdo nacional, regional e independente, inclusive em canais de origem e programação estrangeiras.


É verdade que tem gente que ainda não entendeu as mudanças pelas quais passa a televisão em todo o mundo e no Brasil. Em países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Coréia e até na nossa vizinha Argentina, a televisão por assinatura é hoje o meio absolutamente dominante de acesso das famílias à radiodifusão. No Reino Unido, na França, na Alemanha, em outros países, ainda não é quase exclusiva, mas já equipara ou até supera a televisão aberta na disputa por audiências. No Brasil, gostemos ou não, o futuro não será diferente. O problema que se discute em todo o mundo e estamos conseguindo também discutir no Brasil é se essa evolução deverá ser deixada a critério exclusivo das "forças do mercado" ou se o Poder Público deve nela intervir para atender aos interesses maiores do País e (menores) dos consumidores. A PL-116 estabeleceu que os interesses maiores do País devem ser considerados nessa hora

Pela primeira vez na história das Comunicações brasileiras, uma lei regulamenta o campo da produção e distribuição de conteúdos. Isto deveria estar sendo saudado por todos e todas. Por que é isto que interessa. Ninguém liga televisão para ver tela azul, seja na TV aberta, seja na TV paga. Você liga televisão para ver espetáculos, notícias, esportes, filmes, novelas etc. O Código de 1962, a Lei do Cabo de 1995, a LGT de 1997, nem elas, nem decretos ou portarias subordinados trataram alguma vez desse assunto. Tudo o que se refere a conteúdos está definido no artigo 221 da Constituição brasileira. Este artigo nunca foi regulamentado, logo nunca entrou em vigor. A PL-116 vai ao encontro de nossos princípios constitucionais. Poderia avançar mais? Sempre se poderá dizer que poderia avançar mais. Mas se, antes, o que tínhamos era 0 (zero), o resultado agora é um avanço de infinito por cento.
 
A PL, para organizar o mercado de conteúdo introduziu um marco inédito na legislação brasileira, abrigando princípios da legislação européia: separa claramente as atividades de produção, programação, empacotamento e distribuição. Isto que na TV aberta é tudo misturado, dificultando, entre outras coisas, a visualização e controle dos monopólios verticalizados, na TV por assinatura vai ficar mais transparente. Empresas, inclusive estrangeiras, interessadas em realizar essas atividades no Brasil precisarão se registrar na Ancine que passa, a partir de agora, a ampliar suas atividades e poderes também para o audiovisual eletrônico, saindo de gueto cinematográfico onde sempre a quiseram limitar.
 
Os poderes dados à Ancine nada tem a ver, nem de longe, com censura ou invasão de algum assim chamado "direito do consumidor", como pretendem seus opositores da direita e do DEM. A Ancine não dirá o que pode ou não ser veiculado, nem mesmo interferirá na classificação indicativa que permanece a cargo do Ministério da Justiça. Ela "apenas" dará o devido certificado de produção nacional ou independente para o que for produção nacional ou independente. Se boa ou ruim (critérios, aliás, muito relativos), o público dirá, não a Ancine.

Tudo que à Ancine caberá fazer é regulamentar e fiscalizar o cumprimento do sistema de cotas. Das cotas estão excluídos os canais ou horários dedicados a jornalismo, programas de auditório, esportes, religião, tudo o que não seja realmente dramaturgia, filme, desenhos, documentários. Muitos canais são exclusivamente jornalísticos ou esportivos. Continuarão sendo. Alguns misturam os gêneros. Os tempos de cotas só considerarão o tempo dedicado a filmes ou dramaturgia. Esses tempos ou canais, a PL define como "espaço qualificado".

A rigor, as cotas só afetam mesmo os canais exclusivamente dedicados a filmes, desenhos, documentários, quase todos eles estrangeiros, quase todos eles canais exclusivos de filmes estadunidenses. As cotas atingirão HBOs, TNTs, Cartoons Networks, Discoverys, Telecines etc. Quem se diz de esquerda e não percebe isto, está cego ou ainda não entendeu as mudanças no mundo nestas últimas décadas. Isto é, vive no passado. A Sky do Sr. Rupert Murdoch já entendeu e está bufando. E não me surpreenderia se, algum dia, o Wikileaks revelar que a Embaixada dos EUA também... 

É verdade, as cotas são ridículas. Na Europa, são de 50% do horário nobre. No Brasil, somente 3h30 semanais. Poderia ser mais, mas as fortes pressões contrárias, a omissão do governo no apoio à PL 116 e o desinteresse dos segmentos comprometidos com as questões nacionais e democráticas, não permitiram maior avanço. Mesmo assim, são dois filmes por semana, um deles obrigatoriamente independente. A rigor, reconheçamos, a nossa indústria ainda não produz muito mais do que isso.
 
Há uma outra cota pouco falada. Nos pacotes ofertados, a cada três canais de "espaço qualificado", um deverá ser brasileiro. Hoje, pela atual Lei do Cabo, há exigência de apenas um único canal brasileiro, independentemente do número de canais contidos no pacote. Esse canal brasileiro perdido entre dezenas de estrangeiros costuma ser o "Canal Brasil". 

Por fim, a PL 116 mantém todas as conquistas da velha Lei do Cabo quanto a canais obrigatórios. Afirmar o contrário, é mentira. Basta ler o artigo 32 da lei: as distribuidoras são obrigadas a transmitir, sem ônus para os assinantes, o sinal dos canais abertos disponíveis em sua área de concessão, dos canais público-estatais, comunitários, universitários etc. Nada muda neste quesito. 

O que muda (em outro e muito importante quesito) é a possibilidade de se impedir que as distribuidoras controlem também empacotadoras, canais de programação e produtoras, inclusive espetáculos de grande repercussão pública (futebol?), possibilidades estas inexistente na Lei do Cabo. A atividade de distribuição, mera atividade de telecomunicações, continuará regulamentada e fiscalizada pela Anatel. Durante a vigência da Lei do Cabo, uma distribuidora como a NET, então 100% nacional, e todas as outras, também 100% nacionais, proporcionaram a invasão do Brasil pelos canais de televisão TNT, Warner, Sony, AXN, Fox, ESPN, CNN, Cartoon Network etc., etc. Agora, não importando se o capital de controle das distribuidoras for nacional ou estrangeiro, elas deverão abrir mais espaço para canais brasileiros de "espaço qualificado". Elas serão corresponsáveis pelo cumprimento das cotas por parte de programadores e empacotadores. 

E são as cotas, isto é, a real veiculação de conteúdo nacional, regional e independente, são as cotas que realmente interessam. Não o capital da Telefônica ou da Oi – este, por sinal, não esqueçamos, capital nacional. 

A PL 116 aponta para o modelo que deveria ser seguido em alguma futura legislação brasileira. Ela separa claramente as atividades relacionadas ao conteúdo (produção, programação, empacotamento) das atividades de transporte e distribuição (telecomunicações). Este modelo poderia ser adotado até na TV aberta, como já o é na Europa (a tão citada BBC, por exemplo, não detém as freqüências de transmissão). Embora não diga explicitamente, a PL 116 trata a TV paga como a TV paga deve ser tratada, isto é como radiodifusão, assim como é tratada em todo o mundo: apenas mais um meio de difusão de conteúdo audiovisual televisivo. Importante é o canal de programação, não o caminho aéreo, cabeado ou satelital pelo qual trafega o sinal. Pela quebra de paradigma que introduz, a PL 116 incomoda muita gente, e não somente à direita... 

************ 

Art. 16. Nos canais de espaço qualificado, no mínimo 3h30 (três horas e trinta minutos) semanais dos conteúdos veiculados no horário nobre deverão ser brasileiros e integrar espaço qualificado, e metade deverá ser produzida por produtora brasileira independente. 
Art. 17. Em todos os pacotes ofertados ao assinante, a cada 3 (três) canais de espaço qualificado existentes no pacote, ao menos 1 (um) deverá ser canal brasileiro de espaço qualificado. 
§ 1º Da parcela mínima de canais brasileiros de espaço qualificado de que trata o caput, pelo menos 1/3 (um terço) deverá ser programado por programadora brasileira independente. 
Art. 32. A prestadora do serviço de acesso condicionado, em sua área de prestação, independentemente de tecnologia de distribuição empregada, deverá tornar disponíveis, sem quaisquer ônus ou custos adicionais para seus assinantes, em todos os pacotes ofertados, canais de programação de distribuição obrigatória para as seguintes destinações: 
I – canais destinados à distribuição integral e simultânea, sem inserção de qualquer informação, do sinal aberto e não codificado, transmitido em tecnologia analógica pelas geradoras locais de radiodifusão de sons e imagens, em qualquer faixa de frequências, nos limites territoriais da área de cobertura da concessão; 
II – um canal reservado para a Câmara dos Deputados, para a documentação dos seus trabalhos, especialmente a transmissão ao vivo das sessões; 14 
III – um canal reservado para o Senado Federal, para a documentação dos seus trabalhos, especialmente a transmissão ao vivo das sessões; 
IV – um canal reservado ao Supremo Tribunal Federal, para a divulgação dos atos do Poder Judiciário e dos serviços essenciais à Justiça; 
V – um canal reservado para a prestação de serviços de radiodifusão pública pelo Poder Exe-cutivo, a ser utilizado como instrumento de universalização dos direitos à informação, à comunica-ção, à educação e à cultura, bem como dos outros direitos humanos e sociais; 
VI – um canal reservado para a emissora oficial do Poder Executivo; 
VII – um canal educativo e cultural, organizado pelo Governo Federal e destinado para o desenvolvimento e aprimoramento, entre outros, do ensino a distância de alunos e capacitação de professores, assim como para a transmissão de produções culturais e programas regionais; 
VIII – um canal comunitário para utilização livre e compartilhada por entidades não governa-mentais e sem fins lucrativos; 
IX – um canal de cidadania, organizado pelo Governo Federal e destinado para a transmissão de programações das comunidades locais, para divulgação de atos, trabalhos, projetos, sessões e eventos dos poderes públicos federal, estadual e municipal; 
X – um canal legislativo municipal/estadual, reservado para o uso compartilhado entre as Câmaras de Vereadores localizadas nos Municípios da área de prestação do serviço e a Assembleia Legislativa do respectivo Estado ou para uso da Câmara Legislativa do Distrito Federal, destinado para a divulgação dos trabalhos parlamentares, especialmente a transmissão ao vivo das sessões; 
XI – um canal universitário, reservado para o uso compartilhado entre as instituições de ensino superior localizadas no Município ou Municípios da área de prestação do serviço, devendo a reserva atender a seguinte ordem de precedência: 
a) universidades; 
b) centros universitários; 
c) demais instituições de ensino superior. 
§ 1º A programação dos canais previstos nos incisos II e III deste artigo poderá ser apresentada em um só canal, se assim o decidir a Mesa do Congresso Nacional. 
§ 2º A cessão às distribuidoras das programações das geradoras de que trata o inciso I deste artigo será feita a título gratuito e obrigatório. 
§ 3º A distribuidora do serviço de acesso condicionado não terá responsabilidade sobre o conteúdo da programação veiculada nos canais previstos neste artigo nem estará obrigada a fornecer infraestrutura para as atividades de produção, programação ou empacotamento. 
§ 4º As programadoras dos canais de que tratam os incisos II a XI deste artigo deverão viabilizar, a suas expensas, a entrega dos sinais dos canais nas instalações indicadas pelas distribuidoras, nos termos e condições técnicas estabelecidos pela Anatel. 
§ 5º Os canais previstos nos incisos II a XI deste artigo não terão caráter privado, sendo veda-das a veiculação remunerada de anúncios e outras práticas que configurem comercialização de seus intervalos, assim como a transmissão de publicidade comercial, ressalvados os casos de patrocínio de programas, eventos e projetos veiculados sob a forma de apoio cultural. 
§ 6º Os canais de que trata este artigo deverão ser ofertados em bloco e em ordem numérica virtual sequencial, sendo vedado intercalá-los com outros canais de programações, respeitada a ordem de alocação dos canais no serviço de radiodifusão de sons e imagens, inclusive em tecnologia digital, de cada localidade

(*) Professor da Escola de Comunicação da UFRJ, vice-presidente da União Latina de Economia Política da Comunicação – Capítulo Brasil (ULEPICC-Br).

Bloomberg: expansão da classe média provoca crescimento recorde do mercado hoteleiro.

Matéria da  Bloomberg, com (péssima) tradução minha.

Por Nadja Brandt 

Os hotéis provavelmente terão crescimento recorde da demanda este ano no Brasil, estimulando as cadeias internacionais à duplicar a sua participação no mercado do maior país da América do Sul em uma década, diz a Jones LaSalle Lange Hotels.

A receita por quarto disponível provavelmente saltará pelo menos 20% este ano no Brasil, de acordo com Ricardo Mader, vice-presidente executivo de uma empresa de consultoria de imóveis baseada em São Paulo. A RevPAR,  uma medida de ocupação e preços, subiu um recorde de 17% em 2010, de acordo com uma pesquisa com cerca de 400 hotéis realizada pela Jones Lang LaSalle Hotels, integrante da Jones Lang LaSalle Inc. (JLL), de Chigaco

A demanda por quartos de hotel no Brasil tem sido alimentada pela classe média, que cresceu para mais de 50% população do país pela primeira vez, disse Mader. Ocupação e preços crescentes têm atraído maior interesse de investidores estrangeiros e de hoteleiros internacionais, que operam 3,8% dos hotéis do Brasil, disse ele.

"A maioria dos novos projetos que vemos são de cadeias internacionais", disse Mader em entrevista por telefone. Eles provavelmente duplicarão a sua participação no mercado do Brasil dentro de 10 anos, disse ele.

Os preços de quartos no Brasil, medidos em dólares americanos, subiram 27% no primeiro semestre, o maior aumento entre os países sul-americanos, de acordo com a STR Global, com sede em Londres. Isso comparado com um aumento de 3,4% na América do Norte. A STR foca em cadeias de hotéis, enquanto o relatório da Jones Lang LaSalle Hotels inclui muitos proprietários independentes, locais, disse Mader.

Aumento sem precedentes
A Jones Lang LaSalle Hotels tem assessorado fundos de private equity e investidores institucionais  dos EUA, Europa e América Latina, bem como do Oriente Médio e da Ásia, em expansão no Brasil, disse Clay Dickinson, vice-presidente executivo da empresa. Tem havido "um aumento sem precedentes na quantidade de investidores internacionais avaliando oportunidades de desenvolvimento no Brasil este ano", disse ele.

A Host Hotels & Resorts Inc. (HST) comprou no ano passado um JW Marriott de 245 quartos no Rio de Janeiro, a cidade que sediará as Olimpíadas de 2016. A Bethesda, fundo de investimento imobiliário baseado em Maryland, pagou cerca de US$ 48 milhões pelo o hotel, localizado perto da praia de Copacabana.

O Morgans Hotel Group Co (MHGC), o operador de hotéis boutique em Nova Iorque, entre os quais, o Royalton e Mondrian, planeja acrescentar propriedades no exterior, inclusive no Brasil, disse seu CEO, Michael Gross, em maio.

50 Hotéis Marriot
A Marriott International Inc., maior cadeia hoteleira de capital aberto dos EUA, disse em novembro que planeja aumentar de 4 para 54 o seu número de hotéis no Brasil. A empresa Bethesda, baseada em Maryland, planeja desenvolver 50 hotéis “Fairfield by Marriott” em todo o Brasil, numa parceria com a PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações, baseada no Rio de Janeiro.

Um aumento nos investimentos internacionais no Brasil, particularmente no mercado hoteleiro de alto nível, dependerá da disponibilidade de financiamento, de acordo com Mader.
"Uma coisa que ainda é um grande problema é a falta de financiamento", disse ele. "O Brasil não é um mercado maduro e os bancos comerciais ainda não financiam hotéis. Quando o financiamento estiver mais disponível nós veremos muito mais hotéis de luxo internacionais. "

Os últimos 30 anos no comércio de gravações musicais


Via mashkulture.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O casamento, o sagrado e o amor.

The Holy Matrimony e The Lovers, de Jan Saudek.






Fecomércio: 74,89% dos comerciantes paulistas pretendem aumentar o quadro de funcionários.



De acordo com índice que mede confiança do empreendedor do comércio, 74,89% afirmam que pretendem aumentar quadro de funcionários


São Paulo - Os empresários do setor do comércio de bens e serviços devem contratar nos próximos meses, apesar da instabilidade no mercado financeiro. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), 74,89% afirmam que pretendem aumentar o quadro de funcionários, sendo que 9,88% querem ampliar muito o total de trabalhadores em suas empresas.

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Na comparação entre junho e julho, o Icec registrou alta de 4,2%, atingindo 124,3 pontos em uma escala que varia de 0 a 200. Acima dos 100 o índice denota otimismo. Para o assessor econômico da Fecomercio, Guilherme Dietze, a principal explicação é que os fundamentos da economia brasileira estão muito sólidos. “A taxa de desocupação na cidade de São Paulo é a mais baixa da história, há aumento real na renda e crédito farto no mercado. Isso facilita as compras e consequentemente o emprego do cidadão”, diz.
Segundo Dietz, os empresários tendem a fazer uma avaliação do presente mais baseada nos rendimentos de seus negócios do que na economia como um todo e, por isso, a avaliação deles permanece positiva mesmo após a notícia de que o faturamento do comércio no primeiro semestre de 2011 registrou recuo de 0,3%.

O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec), componente do Icec, apontou elevação de 2,5%, chegando aos 154,8 pontos, enquanto o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec) anotou crescimento de 4%, totalizando 108,9 pontos. Os três componentes do Icec, de acordo com Dietz, mostram que os empresários estão mais otimistas em relação ao segundo semestre deste ano e prevendo vender mais no Natal.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Globo utiliza equipamento proibido e contrabandeado - e bloqueia celulares em estádio de futebol.


A Folha até noticiou o fato, mas, como notou o jornalista Marco Antonio Araujo, escondeu o autor da irregularidade descoberta pela ANATEL.

Conforme a notícia abaixo, a ANATEL flagrou uma emissora de televisão utilizando irregularmente um equipamento contrabandeado em estádios de São Paulo. Para melhorar sua transmissão, a empresa recorreria a bloqueadores de sinal de celular, de uso proibido.



A tal empresa, que estranhamente a Folha preferiu não identificar, segundo Marco Antonio, seria a Globo.

Temos, então, parece, duas notícias: a Globo prejudica os torcedores utilizando um equipamento proibido e contrabandeado; e a Folha esconde o autor de fatos que noticia (quando convém, obviamente).


Agência autuou escritórios na av. Paulista, emissora de televisão e até empresário que instalou em casa
Autorização para usar o aparelho é restrita a presídios; emissora utilizava durante a transmissão de jogos
JULIO WIZIACK, DE SÃO PAULO

Quem nunca andou pela avenida Paulista e teve falhas no celular? Ou foi ao estádio de futebol e ficou sem sinal? Os clientes reclamam da qualidade do serviço nesses lugares, mas a culpa nem sempre é da operadora.
Investigação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apontou que empresas, escritórios e até uma emissora de televisão usaram ilegalmente bloqueadores de celular na cidade.

No início de julho, fiscais da agência em São Paulo autuaram uma grande emissora de televisão, no estádio do Pacaembu, pelo uso ilegal de equipamentos que bloqueavam celulares em um raio de até 1,6 km do campo.

A emissora usava câmeras que transmitiam o jogo em HD (alta definição) na mesma faixa de frequência das antenas de celular.

Para ter estabilidade na transmissão, um dispositivo instalado nas câmeras impedia que celulares acessassem a antena da operadora mais próxima, que, assim, ficava a serviço da emissora.

A infração também foi verificada nos estádios da Portuguesa, na capital, e do Guarani e da Ponte Preta, em Campinas (SP). No Rio de Janeiro, esse tipo de equipamento também foi detectado.

A agência ainda não definiu o valor da multa.

SÓ NA CADEIA
Os bloqueadores de celulares só são autorizados em presídios. O que surpreendeu a Anatel é que, nos últimos quatro meses, esses aparelhos foram apreendidos em empresas e até residências.

As diligências ocorreram a partir de reclamações de "zonas cegas". As falhas ocorreram na avenida Paulista, nas imediações do shopping Eldorado e Iguatemi, entre outros lugares onde a cobertura das teles é intensiva.
Os fiscais da agência foram então às ruas com equipamentos especiais para rastrear as interferências.

Dois escritórios de advocacia e uma corretora de valores foram autuados pelo uso de bloqueadores na avenida Paulista. Somadas, as multas foram de R$ 87 mil. Outra corretora foi autuada em R$ 37 mil, mas o caso ainda não foi julgado pela Anatel.

A Folha apurou que os equipamentos apreendidos entraram no país de forma clandestina e não tinham selo de homologação.

Os bloqueadores operam na mesma faixa de frequência das antenas de celular mas com um sinal muito mais potente. Por isso, "sufocam" os sinais das operadoras (e dos celulares) deixando os clientes sem serviço.

No processo aberto pela Anatel, as empresas infratoras disseram que usavam o bloqueador para impedir o vazamento de informações sigilosas via telefone.

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Você sabia que a Globo usa bloqueadores de celular em estádios para poder transmitir jogos de futebol em alta definição? Chocante, não? É ilegal, óbvio. Com um agravante: esses equipamentos entraram no país de forma clandestina. Contrabando, portanto.

Dois crimes graves, enfim descobertos, graças a uma investigação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E que veio a público por conta de uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo (07).

Seria um grande serviço à sociedade, não fosse por um detalhe intrigante, suspeito e indesculpável: a matéria não cita o nome da Globo em nenhum momento!

Só ficamos sabendo que se trata de “uma grande emissora” que usava os bloqueadores “para ter estabilidade na transmissão” e que “um dispositivo instalado nas câmeras impedia que celulares acessassem a antena da operadora mais próxima, que, assim, ficava a serviço da emissora.”

Mais detalhadamente: “No início de julho, fiscais da agência em São Paulo autuaram uma grande emissora de televisão, no estádio do Pacaembu, pelo uso ilegal de equipamentos que bloqueavam celulares em um raio de até 1,6 km do campo.”

Deve ser algum novo modelo de jornalismo, em que denúncias seríssimas preservam a identidade de sabotadores e contrabandistas. É como noticiar que um ministro foi demitido por desvio de dinheiro, mas, talvez por gentileza, não dar o nome do ladrão.

A Folha não diz na matéria se a omissão é exigência da Anatel, o que também seria injustificável, já que é informação relevante e de interesse público. E sabemos que isso não é caso de segredo de Justiça, já que tudo ocorre na esfera de uma agência reguladora, e não no Judiciário. Ainda.

Por que essa camaradagem inútil, já que, por dedução e eliminação, só podemos chegar à Globo e a seu canal a cabo, a Sportv? É a única “emissora” que tem os famigerados direitos de transmissão. A Band, por sua vez, só usa uma ou duas câmeras exclusivas na beira do campo. Só a Globo transmite.

Fiquei curioso. Como um fato desses não foi amplamente divulgado pela Anatel? Será que a Polícia Federal foi chamada para investigar o evidente contrabando? E a Folha, caramba, por que se meteu literalmente numa roubada dessas de proteger a “emissora”?

Nessa história toda, um fato, para lá de simbólico, chama atenção: bloqueadores de celulares só são autorizados em presídios. Para impedir que bandidos se comuniquem. Irônico, não?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Kanitz: O deboche é fácil e afasta o jornalismo de sua função.

Um excelente texto do Stephen Kanitz.


Muitos leitores perguntam por que nunca escrevo artigos ridicularizando George W. Bush, desancando o governo PT ou ridicularizando as bobagens ditas por algum de nossos governantes.

Não faço este tipo de colunismo porque é ilimitada a quantidade de bobagens feitas por seres humanos. Estaríamos destruindo todo o papel do planeta se comentássemos cada besteira feita. Depois, o tempo do leitor é curto, um jornalismo construtivo deveria também divulgar possíveis soluções e não ficar somente na crítica dos erros dos outros.

Leitores são presas fáceis desta forma de crítica jornalística, porque ela insinua equivocadamente que somos superiores aos nossos semelhantes, governantes e amigos.

Noventa por cento das nossas conversas é para se comentar gafes e fracassos dos amigos, nunca suas conquistas e realizações, por isto nunca sou o primeiro a sair de uma festa de amigos.

O jornalista do deboche sabe que o sucesso do outro incomoda, e se aproveita disto. O jornalismo do deboche não somente mostra que somos supostamente mais inteligentes do que os que estão no poder, mas tem uma outra coisa “freudianamente” muito importante: mostra que o colunista é mais inteligente do que todos nós juntos.

Não pelas suas idéias originais, critério único para se medir inteligência, mas pela burrice dos outros que o jornalismo do deboche tem o prazer de desancar. Como o debochador sempre trata do passado, quando os erros já são óbvios e evidentes, ele tem sempre a vantagem da onisciência, algo que o governante não teve na hora da sua decisão.

Não faço referência àqueles que escrevem uma crítica de forma construtiva, precisamos ser informados das mazelas e erros do governo. Um artigo debochado de vez em quando nos faz rir e permite agüentar o fardo da incompetência alheia. Mas muitos fazem do deboche a sua especialidade, sua razão de ser.

O jornalismo deve criticar e ao mesmo tempo propor soluções para serem discutidas, inclusive correr o risco de ver a idéia debochada. Só que aí, o artigo teria de ser inovador, competente, criativo, sensato, conciliador, persuasivo e corajoso. A crítica barata é muito mais fácil do que a análise profunda. A análise requer pesquisa, números e estatísticas, o deboche só precisa de uma língua afiada.

Se você adora o jornalismo do deboche, porque ele é engraçado, lembre-se que você está rindo de si mesmo, e embora autocrítica e umas risadas sejam sadias, limitar-se a isto é dar um tiro no pé. O Brasil está diariamente dando tiros no pé, e achando graça.

Num congresso de estudantes colocaram-me para falar em penúltimo lugar, e o encerramento foi feito por um profissional do deboche. Ele simplesmente destruiu o meu discurso otimista anterior, dizendo que o Brasil jamais daria certo, de que estávamos condenados pelo gene do patrimonialismo português, que o fracasso estava no nosso sangue, e assim por diante. Para a minha grande surpresa, a platéia simplesmente adorou. Riam a valer, e no final aplaudiram de pé. Inacreditável para mim!

Se um grande intelectual prevê que o Brasil jamais dará certo, não precisamos nos esforçar. Pode-se justificar o nosso fracasso pessoal, nossa mediocridade individual, como sendo inevitável, é nosso destino. “Não preciso melhorar, a culpa não é minha, a culpa é do Brasil, a culpa é dos portugueses”.

Muitos de nossos intelectuais jogam para a platéia, curvando-se à força do mercado, um discurso de que jamais daremos certo, quando a função do intelectual seria justamente mostrar as soluções, mostrar o caminho, mostrar o que nós pobres mortais não vemos.

Onde estão os poetas que antes nos inspiravam e motivavam, onde estão os filósofos que nos mostravam a essência do que está ocorrendo, onde estão os padres com seus sermões edificantes, onde estão os visionários que nos mostravam o caminho? Eles estão presentes como sempre estiveram, mas hoje estão sem platéia, porque o jovem brasileiro está encantado com o discurso do deboche, é sempre mais fácil culpar os outros. [Pergunto eu: eles estão sem platéia ou sem púlpito?]

O jornalismo do deboche é um fenômeno mundial, atingiu até o New York Times. Se acabou acreditando que você é mais competente que Lula, FHC ou Bush, consulte um especialista.

O mundo não é tão simples nem tão ridículo quando lhe fizeram imaginar. Graças a Deus!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Afinal, o que encarece o carro no Brasil?


Quantas vezes você já ouviu esta afirmação: “no Brasil é mais caro por causa da carga tributária”? Varia o produto cujo preço se compara e o outro país usado como paradigma, mas a conclusão é sempre e automaticamente essa. Se, na verdade, a carga tributária lá é mais alta que aqui (caso do Reino Unido e da Alemanha, por exemplo), nem se cogita, apesar de esta circunstância deixar a conclusão até ridícula.

Uma variante do mesmo lugar-comum é botar a culpa nos encargos trabalhistas - que, dizem, dobrariam o custo da mão-de-obra. Eles obrigariam as pobres empresas a cobrar mais por aqui pelo mesmo produto. E aí, mais uma vez, incrivelmente, pouco importaria o fato de esses outros países terem salários médios 3 ou 4 vezes mais altos que os nossos (caso do Reino Unido, dos EUA e da França, por exemplo).



Esta matéria do UOL, estranhamente mal “repercutida”, traz um enfoque diferente. De acordo com pesquisador da área, ao menos no que se refere ao setor de automóveis, o sobrepreço brasileiro seria fruto das altas taxas de lucro praticadas aqui, e não da carga tributária. Ou seja, o que encareceria os carros brasileiros seria a ganância das montadoras – e não o apetite do Leão.

Aqui, está o artigo original e mais detalhado da Agência AutoInforme.


SÃO PAULO – O lucro da montadoras, e não apenas os impostos cobrados na produção, fazem os carros vendidos no Brasil se tornarem muito mais caros do que os veículos comercializados em outras partes do mundo.

A constatação é do diretor da agência AutoInforme, Joel Leite. Segundo o especialista, diferentemente do que dizem as montadoras, a alta carga tributária não é o principal responsável pelo elevado preço que pagamos pelos veículos.

Ele cita que, com exceção dos carros 1.0, cujo imposto de produção aumentou 0,9% entre 1997 e 2011, a carga tributária dos veículos recuou neste período de tempo. “O carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos e o imposto da versão álcool/flex passou de 32,5% para 29,2%”, diz Leite.
No segmento de luxo, o imposto caiu 0,5 ponto no carro a gasolina (de 36,9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.

Portanto, segundo a AutoInforme, o problema em relação aos preços de carro no Brasil é a margem de lucro das montadoras, muito maiores no Brasil do que em outros países.

Margem de lucro elevada
O especialista cita um estudo do Banco Morgan Stanley, que afirma que a margem de lucro das montadoras é mais elevada com carros com aparência de fora de estrada.

“Os técnicos da instituição calcularam que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5% a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais", diz.

Como exemplo, Leite aponta o Palio Adventure (que tem motor 1.8 e sistema locker) e custa R$ 52,5 mil. Na versão normal, com motor 1,4, o preço é de R$ 40,9 mil, uma diferença de 28,5%.

Ainda de acordo com o levantamento do banco britânico, no geral, a margem de lucro das montadoras brasileiras chega a ser três vezes maior do que a de outros países.

Exemplos
O especialista do AutoInforme cita o exemplo do Honda Civic, fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, e vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX), incluindo o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Ou seja, sem estes dois itens, o preço do carro no México seria de R$ 20,3 mil.

“No Brasil, se adicionarmos os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692”, diz Leite.

Entretanto, o preço pago pelos brasileiros é bem superior: R$ 56.210 pelo modelo. “O Lucro Brasil é de R$ 15.518: R$ 56.210 menos R$ 40.692”, ressalta o especialista.

“Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv”, completa.
Já na na Argentina, o Civic LX com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600), segundo o site Auto Blog, R$ 20 mil a menos do que no Brasil.

Outro exemplo citado por Leite é o caso do Kia Soul, comercializado no Paraguai por US$ 18 mil (cerca de R$ 28,8 mil), metade do preço do mesmo carro vendido no Brasil. “Ambos vêm da Coreia. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço”, critica.